Bob ShuT II

Bob ShuT II

Banda mostra consistência e evolução em novo álbum

por Vinícius Augusto de Lima*

A Bob ShuT, banda autoral enraizada na serra gaúcha, passa com muita tranquilidade no temido “teste do segundo disco”. O álbum é composto por 12 faixas, mostrando amadurecimento e coesão no trabalho de Douglas Trancoso (vocais e baixo), Leonardo Vivan (guitarras) e Juliano Mengatto (bateria).

A banda recomeça praticamente de onde parou com o primeiro disco (o autointitulado “Bob ShuT”, de 2008), firmando de vez seu estilo próprio de composição. Essa conexão pode ser observada na maior parte do disco, através de músicas como “Eita Velho Sentimento” e “De Vez em Quando”. Inclusive, ambas já eram executadas em shows anteriores a este lançamento.

Esse estilo fortemente coeso da Bob ShuT é muito fácil de escutar, porém difícil definir. O grupo faz um Pop/Rock básico e grudento que possui um universo bem particular. As canções da banda são uma espécie de coleção de jingles transformados em música de boa qualidade, onde a simplicidade é a lei. O que poderia ser uma impressão na primeira obra, solidifica-se como marca oficial da Bob ShuT no segundo trabalho.

Como coesão não é (e nunca foi) sinônimo de estagnação criativa, a banda também mostra direcionamento na evolução do som, abandonando a roupagem crua do disco antecedente com a boa produção e a presença constante de teclados.

A Bob ShuT de 2013 flerta com distorção de Rock Alternativo noventista (vide “Space Little Guys”, com seu refrão marcante), ganchos e melodias dignas de “Reis do Ié-Ié-Ié” e utiliza até mesmo instrumentos atípicos como trompete (na ótima “Três Marias”) e acordeon (“Falling On The Grass” e “Festival”). No entanto, a grande surpresa do lançamento é “Estátuas de Mel”, em que os caras unem seu estilo com uma proposta de muita ambiência sonora e arranjos inspiradíssimos.

Como se não bastasse, o que mais diferencia nesse novo trabalho é o clima meio… “rural montanhês”, retratado, inclusive, na bela capa do disco. O hiato de 5 anos entre os dois trabalhos corrobora com letras positivas, existencialismo e um som interiorano atípico para bandas de Rock (que normalmente retratam o meio urbano na sonoridade). Como se o Super-Homem preferisse ter ficado em Smallville a ir para Metropolis.

Como ressalva, há quatro boas músicas em inglês que poderiam sido feitas em português, encaixando com os oito demais temas. Também nesse sentido, há algumas excelentes passagens pouco exploradas contidas na parte final de algumas músicas, que poderiam ser repetidas, como o slide “george-harrisoneano” de “Get Back Home”, a bela frase final de “Hey Boss” ou os arranjos cantarolados “Uhu-Uhuru-Huhu” de ”O Código”.

Concluindo, basta apenas afirmar que este respeitável trabalho é superior ao precedente, alavancando a Bob ShuT à posição de referência para bandas independentes nacionais, construindo música não somente com a harmonia de seus instrumentos, mas, principalmente, com bom gosto.

Indicado para quem:

a) curte músicas de comerciais de balas e doces.

b) gosta de dirigir ouvindo bons discos em viagens.

c) deita embaixo de árvores no fim de tarde.

d) prefere primavera a outono.

*Vinícius Augusto de Lima é advogado, músico, crítico de fim de semana, e acima de tudo, amante da boa música.

OBS: o show de lançamento do CD acontece no dia 01/06, às 22h, no Zarabatana Café, com entrada franca.

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