A organização é a alma do negócio

Foto: Maurício Concatto

por Marcelo Andrighetti

Se algumas pessoas tinham dúvidas em relação a segunda edição do Moinho da Estação Blues Festival, só pelos números já puderam perceber que o evento superou expectativas.  “Este é o melhor festival de blues do Brasil” foi a frase mais exaltada pela maioria das 25 bandas durante as três noites chuvosas do evento. Com algumas alterações, a proposição foi repetida diversas vezes por músicos conhecidos no país inteiro, como Pedro Strasser e Flávio Guimarães da Blues Etílico e Melk Rocha, empresário e gaitista de São Paulo. Isso só para citar três exemplos de peso.

No total, quatro mil pessoas passaram pelo Festival de quinta a sábado. E o que elas mais viram – depois do blues, é claro – foi organização, segurança e limpeza. Organização na entrada, nos horários, na troca de bandas, camarim, serviços em geral, realizados por cerca de 80 pessoas que trabalhavam devidamente identificados com camisas verdes. A única ressalva é sobre a venda mínima de tickets de consumação, que deveria ser 10 reais. No segundo dia, os produtores já haviam notado o erro e baixaram a venda mínima para cinco pila.

Segurança, que é primordial em um evento de grande porte como esse, não faltou em nenhum momento. E limpeza, pois a Coza, um dos patrocinadores, teve uma bela sacada e deu um baita exemplo: distribuiu copos plásticos personalizados. Dessa maneira, o público bebeu a noite inteira e ainda levou para casa uma espécie de brinde do Moinho da Estação. Seis mil copos foram entregues.

Palcos bonitos, bem montados e com som de primeira. Nada ficou a desejar! A chuva, inclusive, foi mera coadjuvante e só apareceu em alguns momentos. E foi sobre gotas que caiam na madrugada de sábado para domingo que os cariocas da Blues Etílicos subiram ao palco e fizeram uma das melhores apresentações que o amantes do blues e do rock puderam ver neste ano aqui na cidade. “Nem parece Caxias”, diziam alguns espectadores. Mas era.

Os organizadores do Blues Festival provaram que Caxias tem capacidade de bancar e produzir um festival desse porte.  Foi bonito ver grande parte dos 150 músicos que subiram nos quatro palcos elogiar a cidade, a serra gaúcha como um todo.  E o elogio não partiu apenas pela bela composição de shows e músicos, mas também pelas atividades paralelas.

A “praça de alimentação”, com várias alternativas de lanches, os estandes dos patrocinadores, uma loja de CDs autorais de Porto Alegre, a venda de livros e a realização de 11 workshops. Destaque para este último item, que teve participação de um público diversificado, para a surpresa e alegria do organizador dos estudos, Ricardo Biga. De acordo com Biga, o objetivo dos workshops era ensinar algumas técnicas do blues para músicos e simpatizantes. Mas foi além disso, pois  conseguiram atrair simples curiosos. O que para Biga foi bastante gratificante.

Os shows nos palcos paralelos também chamaram muito a atenção de quem esperava artistas no palco principal. A Bluesgrass Portoalegrense surpreendeu a todos, arrancando muitas palmas do público.  A banda é destaque na capital gaúcha, pois não toca em bares, somente em locais abertos. Em troca vende CDs e pede moedas. Márcio Petracco, tocando bandolim e assumindo parte dos vocais, elogiou com estilo o Moinho da Estação. “Só tocamos na rua, mas abrimos uma exceção por se tratar de um festival como este”.

O interessante foi a integração dos músicos, coisa que só o blues proporciona em qualquer lugar.  A Caxiense Fran Duarte, por exemplo, dividiu o palco com o paranaense Décio Caetano. “A Franciele tem o tempero principal para se tocar blues, que é o sentimento”, relatou o músico. Foi assim também com a Headcutters (Itajaí-SC) e Melk Rocha (São Paulo-SP), Crossroad Time e Rafa Gubert, entre outros.

Os norte americanos de Chicago Carlos Johnson e Billy Branch dividiram o palco em duas noites. Primeiro na sexta, com a apresentação de Billy e acompanhamento de Johnson.  E que show, que exemplo de blues.

Mas no sábado foi melhor, sem dúvida alguma. A apresentação de Carlos Johnson arrancou aplausos e gritos enlouquecidos da platéia. O guitarrista, além de ter uma história de vida bonita e ser destaque mundial quando o assunto é blues, falou em português e pediu uma caipirinha – que tomou em um só gole. Além de improvisar algumas gírias gaúchas: “bah, tchê”. No final do show, sem desgrudar da guitarra e dos belos solos, Johnson desceu do palco e improvisou no meio das pessoas. Foi aplaudido incansavelmente.

É visível a projeção futura do Moinho da Estação Blues Festival. No ano passado, poucas pessoas prestigiaram o evento. Agora, em 2009, a coisa foi diferente. Muita gente da região e até de outras cidades vieram a Caxias para acompanhar as atividades. Isso comprova a positividade de algo bem organizado. Arrisco a dizer que daqui a cinco anos, a estrutura vai ser maior, mas a principal mudança vai ser nos palcos paralelos, que deverão ter shows ao mesmo tempo em que estiver rolando bandas no Palco Principal. E aí sim, além de dizer, poderemos provar que Caxias do Sul abriga o maior Festival de Blues da America Latina.

Que venham as próximas edições.

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