Passo importante pra cena independente de Caxias

por Tiago Garziera

A histeria coletiva em torno dos festivais independentes de rock emula a mesma loucura frenética do mundo da web, onde músicos conseguiram extravasar as fronteiras de suas garagens e construir seus nomes em eventos respeitados como o Noise, de Goiânia, o Calango, de Cuiabá, e o MADA, de Natal.

Caxias já estava nesta seara desde que o moinho da Estação Blues Festival teve sua primeira edição, no ano passado, e agora aprofunda sua participação neste universo com o Descarrilhado Rock Festival, que começa hoje reunindo 14 bandas, entre elas Replicantes, Cartolas e Superguidis, no Vagão Bar.

Essa sinfonia que vem do mundo internético, para a maioria dos grupos que se apresentam até amanhã, ecoa em palcos como o do novíssimo festival caxiense.

É mais do que ver a produção recente da nova safra do rock feito no ponto mais meridional do país, é entender como a música pop pode viver sem grandes gravadoras e ainda ordenar um séquito de garotos de All Star atrás de seus ídolos do underground. Quase tudo culpa da internet.

– Sem dúvida a cena cresceu muito com a internet. A gente usa e abusa desse canal: nosso segundo disco (A Amarga Sinfonia do Superstar) foi o primeiro no Brasil a ser lançado gratuitamente na rede, pela plataforma de download remunerado – diz Andrio Maquenzi, líder da cultuada Superguidis, um dos headliners do Descarrilhado.

– Pra quem trabalha com a questão da imagem (a Bob Shut tem três videoclipes produzidos), o YouTube é muito importante – confirma Douglas Trancoso, baixista e vocalista da Bob Shut, uma das quatro bandas de Caxias que estarão no festival.

A iniciativa casa com a vertiginosa produção do rock autoral produzido em Caxias. Realizar o festival era só uma questão de tempo, portanto.

– Com tanta banda fazendo som próprio, sentimos que era a hora de fazer um festival, com gente de fora e também daqui. Queremos que esse encontro se torne anual – pondera César Casara, sócio-proprietário do Vagão Bar.

Até 2011, ao menos, ele está garantido. É o tempo que necessita para ganhar o carimbo da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), espécie de selo de qualidade carregado pelo Abril Pro Rock, no Recife, ou pelo Humaitá Pra Peixe, no Rio, por exemplo.

– Acho fundamental para o crescimento de uma cena. Isso vai fortalecer, e muito, as bandas da região que tocam música própria – opina Cristiano Bauce, vocalista e guitarrista da proeminente Gulivers, que também tocará em Caxias.

Prestes a lançar seu segundo disco, Quase Certeza Absoluta, pelo selo Antídoto, o Cartolas nem surfou tanto assim na onda da internet, pois venceu o Claro que é Rock, em 2005. Mas reconhece a dimensão dos festivais.

– A cidade está sendo uma das pioneiras no quesito festival de bandas independentes. Para Caxias, penso que a importância está em torná-la mais um polo cultural no quesito musical – comenta Dé Silveira, guitarrista da Cartolas.

Depois de descobrir a internet como plataforma para se lançarem ao mercado, agora bandas voltam a uma velha forma adotada por roqueiros ao longo dos anos: os festivais. E que bom que tenha gente para organizá-los.

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