Ser ou estar

Crônica

por Roberto Niederauer (Violeta Pop, Os Blugs)

Tenho pensado muito ultimamente sobre algumas coisas a respeito dos músicos, em especial os músicos aqui da Caxias. Uma preocupação que eu tenho é que não temos aqui na cidade (e acredito que também não temos no RS) um cadastro confiável de quantos músicos atuam no mercado.

Faço um esforço para tentar chegar a um número aproximado de quantos estão trabalhando com música por aqui. Aí é que surge o outro problema: quem realmente atua no mercado e quem está apenas se aproveitando dele…calma, eu explico.

Vejo que existem dois tipos de músicos: os que “são” músicos e os que “estão” músicos. Os primeiros são aqueles que nasceram com o dom musical, que vivem cada segundo da sua vida com a música ponteando seus atos e seus ideais. Já os que “estão” músicos dão a sensação de estarem se aproveitando dos modismos, das oportunidades.

Penso assim porque vejo dezenas de pessoas que são qualquer coisa durante a semana e nos fins-de-semana simplesmente se transformam em músicos (alguns com muito talento, não nego isso). Só que não usam a música como profissão. Usam a música como um hobby, bem caro por sinal, já que o custo de um bom instrumento não é barato.

Mas, como eles têm outra profissão que garante seus proventos, usa a música como uma diversão e não dão valor ao que um músico realmente deveria receber pelo trabalho. E se um músico estudasse como hobby uma outra profissão e usasse o fim-de-semana para atuar, na surdina, como advogado ou médico, só para ajudar as pessoas e cobrasse um quinto ou um sexto dos honorários previstos em lei.

É claro que o exercício da medicina de forma ilegal é crime, mas será que tocar em um bar, ou em uma boate por valores ridículos não é um crime já que nivela por baixo o cachê de quem realmente precisa desse emprego?

E tem gente tocando por cerveja, por metade, ou até um terço do valor cobrado como couvert pelos donos dos estabelecimentos. Quem deveria regulamentar isso, a Ordem dos Músicos do Brasil, não tem cacife para tal, nem respaldo da classe.

Os donos dos bares e casas noturnas se aproveitam disso porque atualmente só colocam música ao vivo para poder cobrar ingresso mais caro e, por pagarem cachês ridículos aos músicos, lucram em dobro. Acho que vamos chegar a um ponto em que só sobreviverá o músico que trabalhar de forma autoral. Os outros serão simplesmente intérpretes sem valor. A música ao vivo vai agonizar.

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