novo jeito punk de ser

por Mugnolini (Marcelo Mugnol)

O Pubby é um punk diferente. O cara é guitarrista e tem suas limitações como a maioria dos músicos de banda punk. Mas ele sabe trabalhar essas limitações técnicas (pra que serve um arpejo tocado a 120km, mesmo?!?) pro bem das músicas da Ligante Anfetamínico.

Nem por isso, nem mesmo por ser um guitarrista de banda punk, o Pubby se limitou a comer cachorro quente bebendo cachaça Pitu nas esquinas da vida. O Pubby virou advogado. Mais um dos bons homens desse país a lutar pelo cumprimento das leis. Mas como nem tudo na vida são códigos e normatizações, o Pubby resolveu dar um peitaço e virar dono de bar.

O Pubby não virou um “porco capitalista”, ele cumpriu o principal lema do punk: Faça você mesmo. Como andava descontente com o perfil dos bares de Caxias, resolveu comprar um. Arranjou um sócio, o César Casara, do estúdio Alta Voz, e meteu o pé na porta. Casara e Pubby são os donos do Vagão.

Leia a seguir entrevista com o Pubby.

MUGNOLINI: Músico serve pra ser dono de bar?
PUBBY: Antes mesmo de ser músico a música sempre me facionou! Adoro a música! A forma que encontrei para unir prazer e trabalho era comprar/montar um bar, ou então um estúdio de gravação! A primeira opção apareceu antes, e abracei a oportunidade, e hoje posso dizer que sou mais feliz.

MUGNOLINI: Qual vai ser a cara desse novo Vagão?
PUBBY: Então, é inegável que alguma mudanças irão acontecer, e já estão acontecendo! Tanto eu quanto o César (meu sócio) gostamos muito de rock! Mas não fechado em uma única década! Ou seja, pretendemos fazer do vagão um bar de rock, mas aberto as várias tendências e ramificações do estilo! Inclusive as mais atuais! Entendemos que dessa forma o bar vai se perpetuar por muito mais tempo!

MUGNOLINI: O que te incomodava antes e como vai ficar?
PUBBY: Na verdade eu pouco frequêntei o vagão antes de adquiri-lo! Não existia algo que me incomodava nele! Acho que uma das coisas que pretendemos manter é a estrutura que o bar oferece, melhorando em alguns quesitos como camarin novo, sistema de som e iluminação nova, o atendimento, e o clima de respeito às diversidades.

MUGNOLINI: Lembro de no passado tu ter criticado duramente o Vagão em uma ocasião, inclusive com coisas no Orkut, se não me engano. Comprar o bar foi botar a tua cara pra bater?
PUBBY: Realmente, tive um problema com o proprietário anterior, ele estava começando a tabalhar na noite, e talvez a forma com que se desenrolou o ocorrido ficou desastrosa para ambos os lados, mas hoje jogamos futebol jutnos toda segunda-feira e acredito que superamos os problemas, também acho que tanto eu quanto ele aprendemos a conviver melhor com as diferenças. E sim, eu sempre fui uma pessoa que gosta de externar opiniões, e quando se faz isso há um preço a ser pago! Mas eu acho que vale mais falar o que se pensa, sabendo que poderá haver críticas em sentido contrário, do que passar a vida toda sem ter opinião própria.

MUGNOLINI: Comprar um bar é uma atitude punk?
PUBBY: No meu caso era algo previsível! Explico, como desde pequeno a música sempre teve um papel fundamental na minha vida, era de se estranhar que minha “profissão” não fosse, de certa forma, vinculada a ela! Pra mim, ir para ao bar não é um trabalho, é uma realização! E viver do que eu mais gosto na minha vida: música!

MUGNOLINI: Que tipos de banda vocês querem tocando no bar?
PUBBY: Isso ainda estamos estudando! O problema é que tu abstrai o gosto pessoal e passa a pensar como um negócio! Tem que ir atrás de bandas boas, mas ao mesmo tempo tu não pode abrir mão do público que fez a história do Vagão e que talvez não vá entender uma mudança radical na direção do bar! A princípio estamos com uma agenda bastante variada abrangendo vários estilos possíveis, desde o metal até o pop tradicional! Acreditamos que dessa forma vamos conseguir trazer diferentes tribos para dentro do bar, em diferentes dias, sem transformar o bar em apenas uma coisa! O que queremos é um bar de música boa! Dentro do pop/rock.

MUGNOLINI: Tu acha que o bar pode vir a ser o lugar que vai dar conta de dar oportuinidades às novas bandas?
PUBBY: Espero que sim! E se não for assim eu estou traindo a mim mesmo! Por isso já começamos a abrir nas quintas-feiras! Sei que o melhor para uma banda é mostrar seu som na sexta ou no sábado, no entanto, em se tratando de negócios, para que o bar possa dar chance para bandas novas é necessário que ele fature mais para cobrir os dias de menor movimento, infelizmente estes dias são ocupados por bandas novas, pois ainda não tem público, muitas vezes não são tão boas assim! Por isso a quinta-feira é uma aposta nas bandas novas da cidade! É um dia a mais que o bar abre para que as banda comecem a ter cancha, palco, e estrada, para amanhã ou depois vir a se tornar uma referência.

MUGNOLINI: E os consagrados? Que antes iam tocar no Revival terão espaço também no Vagão?
PUBBY: Bom, tudo depende! Não podemos transformar o Vagão no Revival! Essa é nossa atual política! O Revival foi um marco na cena musical caxiense, e tem que ser respeitado e lembrado para sempre dessa forma. O Vagão re-começa com uma nova política! Uma nova forma de ver as coisas! Se ele irá se tornar um ponto de efervecência cultural só o tempo dirá! Com relação as bandas, aquelas que nós entendermos que tenham o perfil que pretendemos para o bar, terão espaço garantido! Mas é importante lembrar que para uma cena realmente existir, não podemos viver só do passado, temos que contruir o novo!

MUGNOLINI: Como dono de bar e músico, qual banda tu sonha ter no teu bar tocando?
PUBBY: Pergunta difícil! Tem muitas bandas que eu gosto que poderiam tocar no bar! Essa eu vou ter que pensar mais um bom tempo pra te responder!

MUGNOLINI: E a pergunta que não quer calar, o Esqueleto vai ser o RP (Relações Públicas) do teu bar?
PUBBY: O Esqueleto já é o RP do vagão!!! huahauhauha… Não que isso seja bom! Mas enfim! Na verdade, já temos notado que os frequentadores do bar notaram algumas diferenças e já estão aprovando nossa administração! E isso é o que queremos, que as pessoas se sintam bem lá dentro! E que lá seja um local para ir e se divertir! Derreter no calor do rock!

NOTA DO MUGNOLINI: Ao final do e-mail Pubby desculpa-se por ainda não ter feito nenhuma foto sua lá dentro do bar. Aliás, nenhuma ainda publicável… E termina assim o e-mail: “Escrevi na correria, desculpa os erros de português que certamente vai ter! huahuahuahua… Agora ficar na frente do pc ficou complicado! Muita coisa pra resolver!!! Abraço mugnol!!! Vê se aparece lá no vagão!!! Ps.: temos ypioca!!! ;o)”.

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